Pesquisa apresentada em 2016 indica que o consumo de álcool pode contribuir para o aumento da longevidade

bebibaBoa notícia para quem gosta de beber aquela cervejinha no final de semana.

Ingerir bebidas alcoólicas pode influenciar positivamente sua qualidade de vida e aumentar sua expectativa de vida.

Segundo um estudo preliminar apresentado este ano no evento American Heart Association’s Scientific Sessions 2016, o consumo moderado de bebidas com álcool pode ser a prevenção de uma população com problemas vasculares, como pressão alta, ou problemas decorrentes do aumento de peso, como a obesidade e diabetes.

Isso se deve à descoberta feita nesse estudo realizado com 80 mil adultos chineses saudáveis, que tiveram seus históricos de consumo de álcool e níveis do colesterol HDL acompanhados por mais de seis anos, onde se descobriu que o álcool ajudou na manutenção dos níveis adequados das lipoproteínas de alta densidade (HDL), também conhecida como “colesterol bom”.


Segundo o estudo, esse consumo moderado de álcool ao longo da vida provoca uma redução mais lenta do HDL, lipoproteína composta por grande quantidade de proteína e com alta capacidade de captar a gordura presente no sangue.

A diminuição de lipídios presentes no sangue evita a formação de “placas” nas veias e doenças como pressão alta, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (doenças que apresentam grande índice de mortalidade).

Esse hábito brasileiro de consumir bebidas com álcool pode ter influenciado no aumento da longevidade no Brasil e foi comparado a um “milagre” por Alexandre Kalache – especialista no estudo do envelhecimento que trabalhou durante anos na Organização Mundial da Saúde (OMS) ajudando a criar políticas para um envelhecimento ativo e saudável, além de atual presidente do Centro Internacional de Longevidade no Brasil.

Para Alexandre Kalache, o aumento da longevidade no Brasil é uma surpresa por contrariar a ideia de que o envelhecimento de uma população, deve-se ao suprimento das condições básicas de saúde, saneamento e nutrição de uma nação, como é o caso de países desenvolvidos (como Japão e Alemanha), onde a expectativa de vida gira em torno de mais de 80 anos e têm menos incidência de doenças.

O fato é que estes países enriqueceram primeiro e depois envelheceram, o que permitiu a eles estruturar políticas públicas eficazes para evitar doenças e fornecer as condições básicas de saúde, saneamento e nutrição para suas populações.

Já o Brasil, contrariando essa regra, passou muitos anos sem dar a devida condição a saúde e preocupações sanitárias, mas teve um “gap” de longevidade.

Hábitos tipicamente brasileiros e ainda pouco estudados, como “a cervejinha do final de semana” podem ter influenciado nesse aumento da longevidade no país, que passou de uma expectativa de vida de 54 anos na década de 60 para 73 anos (segundo estudo feito em 2012 pelo Grupo Banco Mundial).