O chocolate pode fazer parte de uma alimentação equilibrada?
Claro que sim, uma alimentação saudável depende de escolhas alimentares adequadas, os chocolates são alimentos muito calóricos mas podem ser consumidos, desde que haja moderação.
Ele faz parte do grupo de Açúcares e Doces, da Pirâmide dos Alimentos, e são as principais fontes de energia. Podem ser consumidos como todos os demais grupos, como Verduras e Legumes, Frutas e Carnes e Ovos, sempre de forma equilibrada e associada a hábitos de vida saudáveis, que também incluem a prática de atividade física regular.

Conheça o chocolate

Os benefícios do chocolate para a saúde já são pesquisados há mais de 10 anos. Seus componentes possuem efeito antioxidante e anti-inflamatório sobre o organismo, e os estudos são bastante conclusivos, principalmente com relação à proteção cardiovascular, entre outros que veremos agora.

O alimento protege o coração, ajuda a prevenir o diabete tipo 2, reforça as defesas do corpo e ainda auxilia no controle do apetite. Sua matéria-prima, o cacau, era considerada por maias e astecas o alimento dos deuses, tamanha veneração talvez tenha se originado da dedução de que as sementes do fruto do cacaueiro escondiam diversas propriedades.

No entanto, quase cinco séculos depois sobram evidências científicas de que o chocolate amargo, guloseima com um gosto peculiar justamente por ter maior teor de cacau na sua composição, promove uma série de benefícios para a nossa saúde, como já foi dito no artigo “Chocolate pode ajudar a emagrecer sim!”.


Entretanto, a população brasileira tem hábitos alimentares com preferência por doces e bebidas adoçadas, sendo necessária orientação no sentido de diminuir o consumo de itens deste grupo.
Segundo a Pirâmide dos Alimentos, em uma dieta de 2.000 kcal, a recomendação diária é de uma porção do grupo, que equivale a 110 kcal. Sem a devida orientação, este valor é facilmente ultrapassado.

Então no momento da compra, quando temos a difícil missão de escolher um ovo entre tantas opções deliciosas, oriento a parar e ler os rótulos: A leitura atenta das informações nutricionais auxilia na escolha da versão do chocolate (ao leite, amargo, branco), do tipo e quantidade de recheio, além de informar sobre o valor energético dos produtos.

As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta, principalmente se na mesma contiver chocolates, com o intuito de melhor ou prevenir algumas das patologias citadas acima.

Tipos de chocolate

AMARGO: Entram na sua composição as sementes de cacau, um mínimo de manteiga de cacau, pouco açúcar e nada de leite. Seu sabor peculiar se deve à maior quantidade de massa do fruto do cacaueiro. E como vimos acima é um grande precursor na nossa saúde. Uma barra de 30 gramas fornece 150 calorias.

AO LEITE: Licor e manteiga de cacau, açúcar, leite, leite em pó ou leite condensado. Esses são alguns dos ingredientes que podem ser incluídos na receita desse chocolate, que é, aliás, creditada ao farmacêutico alemão Henri Nestlé (1814 – 1890). Calorias em 30 gramas: 159.

BRANCO: Muita gente não o considera digno de ser classificado como chocolate. Isso porque as sementes de cacau não fazem parte da fórmula desse alimento. Para obter o tipo branco, a indústria se vale de uma mistura de leite, açúcar, manteiga de cacau e lecitina. São 164 calorias em 30 gramas.

O chocolate é um alimento altamente energético, 100g deste alimento fornece aproximadamente 500 kcal, por ser um alimento calórico devido à quantidade de açúcar + gordura combinado (Por exemplo, uma maçã de 100g = 60 kcal aproximadamente) seu excesso pode atrapalhar qualquer pessoa que esteja buscando controle de peso.

Um consumo controlado é permitido e pode ser tranquilamente inserido dentro de uma alimentação equilibrada, isso não trará prejuízos ao controle de peso, no entanto, é importante lembrar que se o chocolate é inserido, outros alimentos que têm gordura e açúcar devem ser limitados. Seria um esquema de compensação, come um retira outro, caso contrário, pode haver um adicional de calorias e aí sim um impacto sobre o ganho de peso.


O chocolate amargo como já foi visto é um grande ajudante, em calorias, gordura e açúcar são semelhantes. O benefício é justamente o maior consumo destes antioxidantes para uma mesma porção de chocolate ao leite.
O chocolate amargo é a melhor opção. Quanto maior o teor de cacau, maior a quantidade de flavonóides, aumentando também o sabor amargo, muitas pessoas gostam deste amargor.

O chocolate diet não apresenta açúcar na composição, no entanto, algumas marcas fabricam chocolate diet com maior teor de gordura, ou seja, para quem quer controlar peso e come chocolate diet pensando estar economizando calorias pode estar cometendo um erro.

Por isso, é importante que as pessoas se habituem a ler os rótulos dos alimentos e façam esta comparação, é nos rótulos que irão encontrar este tipo de informação. E devido a este problema do teor de gordura no chocolate diet, algumas empresas estão fabricando chocolates diets com o mesmo teor de gordura da versão ao leite e algumas até com fibras na composição. Esta substituição vale à pena.

Não existe comprovação científica de que o chocolate cause acnes. Caso a pessoa perceba que nela o chocolate apresente este efeito, é melhor evitar.

Particularmente….

Acredito que não exista uma idade ideal para o consumo de chocolate. Não é recomendável dar chocolate a um bebê, o que existe é o bom senso, tudo é permitido numa dieta quando há moderação. Se em casa não há o hábito de se comprar chocolate, esta criança vai conhecer este alimento quando for a alguma festas, à escola ou quanto tiver contato com outras crianças que consumam o chocolate.

Eu não faço indicações diretamente, de consumo de chocolates em dietas, procuro respeitar o hábito das pessoas ao planejar uma alimentação.
A maioria dos pacientes estão em busca da redução de peso e, muitos deles, gostam muito de chocolate. O que eu faço é permitir o consumo mesmo o indivíduo estando em controle de ingestão de calorias, facilitando assim sua adesão à dieta.

Claro que, pelo chocolate ser calórico, as porções diárias é reduzido, porém permitidas. Quando uma pessoa tem uma alimentação adequada e variada, ela acaba fazendo o consumo de nutrientes antioxidantes por meio de alimentos como frutas, hortaliças, castanhas, chás, soja e sementes. Então, se não é hábito da pessoa comer chocolates não há necessidade de fazer esta indicação.

Curiosidades

Origem do Ovo de Chocolate na Páscoa: O ovo é considerado a mais perfeita embalagem natural. Em diversas culturas também simboliza o começo do universo, a palavra da suprema divindade, o princípio da vida. Vários costumes associados à Páscoa não existiam até o século XV.

Acredita-se que os missionários e os cruzados trouxeram para a Europa Ocidental o costume de presentear com ovos. Na época medieval, eram pintados de vermelho para representar o sangue de Cristo. Os cristãos adotaram esta tradição e o ovo passou a ser o símbolo da tumba da qual Jesus ressuscitou. Ovos de chocolate começaram a aparecer no século XVII.

Ovos de plástico recheados de ovos de chocolate ou bombons surgiram na década de 60. A figura do coelho está simbolicamente relacionada à esta data comemorativa, pois este animal representa a fertilidade. Já os ovos de Páscoa (de chocolate, enfeites, jóias), também estão neste contexto da fertilidade e da vida.

O coelho e o ovo de chocolate são ícones da Páscoa, ritual comemorado de diversas maneiras, de acordo com a tradição e simbologia adotada pelos povos. É momento de juntar a família, surpreender as crianças, compartilhar as delícias da vida e celebrar a ressurreição de Cristo transmitindo mensagens de fé, amor e união. Feliz Páscoa!

Texto escrito por:
Márcia A. Teixeira, nutricionista, especialista em Unidade de Alimentação e Nutrição pelo Centro Universitário do Triângulo.