Na edição 2233 do dia 07/09/2011 da revista veja, saiu uma reportagem que vem causando uma grande polêmica. A Victoza seria mesmo um remédio milagroso que acabaria com a obesidade? Será que não existe realmente riscos à saúde?

Assim como o uso banalizado da Lipostabil, para queimar gorduras localizadas, sendo ele um remédio, para uso de problemas cardíacos. A Victoza (liraglutida), substância usada por diabéticos agora está deixando especialista preocupados.

O pior de tudo é que quem realmente precisa do remédio está ficando sem, pois como está na moda, além do preço ter aumentado. O conjunto: Victoza de solução injetável refrigerado 6mg com 2 sistemas de aplicação custa em torno de R$ 400,00.

Infelizmente, não descobri o tempo de duração de uma caixa, mas acho que seja de um mês. Mas o Victosa já está começando a faltar nas farmácias.


O que é e como age.

A liraglutida, principio ativo da Victoza, é uma substância para ser usada contra a diabetes do tipo 2. Ela age como o hormônio GLP-1, que temos naturalmente no organismo, que regulando a secreção de insulina e glucagon, inibindo a secreção de suco gástrico e aumentando a sensação de saciedade.

Comparando o GLP-1 natural e o sintético, esse segundo é 8 vezes mais forte que o natural, agindo durante 24 hora por dia em nosso organismo, enquanto que o natural, só age durante 3 minutos por dia.
Ou seja seria realmente uma maravilha se não fosse um remédio específico para diabéticos.

Efeitos colaterais

Imagine o seguinte, uma pessoa não tem problemas de prisão de ventre e vai tomar laxante, o que pode acontecer…. Pois bem, tomar um remédio que não precisa pode sim causar efeitos colaterais sérios.

Dê acordo com um comunicada da ANVISA, esses efeitos poderiam ser:
– hipoglicemia
– dores de cabeça
– náusea e diarreia]
Além destes, existem outros possíveis riscos:
– pancreatite [inflamação do pâncreas]
– desidratação
– alteração da função renal
– distúrbios da [glândula] tireoide, como nódulos
– casos de urticária

Não existe milagre

Apesar de parecer realmente uma maneira fácil de se alcançar os peso tão querido, em nenhum momento se descarta a necessidade de manter uma dieta alimentar balanceada e de baixas calorias, sempre com atividades diárias. E o efeito sanfona pode e vai acontecer, quando parar de tomar o remédio, se não houver a mesma disciplina alimentar e atividades, poiso remédio age na saciedade.

É essencial lembrar que, também de acordo com a ANVISA, o medicamente ainda está em teste e o uso discriminado e sem acompanhamento médico pode causar outros efeitos desconhecidos.

O Victoza é um remédio de tarja preta, ou seja só deveria ser comprado com receita médica, com acompanhamento médico e por portadores da diabetes tipo 2.

Não se iludam, de tempos em tempos sempre aparece algo como na manchete da revista, “Parece milagre! Novo remédio faz emagrecer. E sem grandes efeitos colaterais.” Isso não existe pessoal, e todos sabem. Só se tem realmente um emagrecimento eficaz, saudável e duradouro, mudando os próprios hábitos, dia após dia, com dedicação e muito amor próprio.


Se mesmo assim alguém quiser tentar, procure um bom endocrinologista, faça exames, nunca tome medicamentos, ainda mais os de tarja preta por conta, pois pode colocar sua vida em risco.

Veja abaixo a integra do comunicado da ANVISA sobre o Victoza.

“Esclarecimentos sobre o risco do uso inadequado do produto Victoza:

Em relação à reportagem intitulada “Parece Milagre”, edição número 2.233 da revista VEJA, de 07/09/2001, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) esclarece que o Victoza é um produto “biológico”. Ou seja, trata-se de uma molécula de alta complexidade, de uso injetável, contendo a substância liraglutida. O medicamento, fabricado pelo laboratório Novo Nordisk, foi aprovado pela Anvisa para comercialização no Brasil em março de 2010, com a finalidade de uso específico no tratamento de diabetes tipo 2. Portanto, seu uso não é indicado para emagrecimento.
A indicação de uso do medicamento aprovada pela Anvisa é como “adjuvante da dieta e atividade física para atingir o controle glicêmico em pacientes adultos com diabetes mellitus tipo 2, para administração uma vez ao dia como monoterapia ou como tratamento combinado com um ou mais antidiabéticos orais (metformina, sulfoniluréias ou uma tiazollidinediona), quando o tratamento anterior não proporciona um controle glicêmico adequado”.
Por tratar se de um medicamento “biológico novo”, o Victoza, assim como outros medicamentos dessa categoria, estão submetidos a regras específicas tanto para o registro quanto para o acompanhamento de uso após o registro durante os primeiros cinco anos de comercialização. Além disto, o produto traz a seguinte advertência no texto de bula: “este produto é um medicamento novo e, embora pesquisas tenham indicado eficácia e segurança aceitáveis, mesmo que indicado e utilizado corretamente, podem ocorrer eventos adversos imprevisíveis ou desconhecidos. Nesse caso informe seu médico.”
Para o registro do produto foram apresentados os relatórios de experimentação terapêutica com estudos não clínicos e clínicos Fase I, Fase II e Fase III comprovando a eficácia e segurança do produto, para o uso específico no tratamento de diabetes tipo 2.
É importante destacar que além dos estudos apresentados para o registro, encontra-se em andamento um estudo Fase IV (pós registro) para confirmação da segurança cardiovascular da liraglutida. Os resultados deste estudo podem trazer novas informações a respeito da segurança do produto.
O laboratório fabricante já enviou à Anvisa três relatórios sobre o comportamento do produto, trata-se do documento conhecido como PSUR (Relatório Periódico de Farmacovigilância). Além disto, o Novo Nordisk decidiu incluir, em junho de 2011, em seu Plano de Minimização de Risco (PMR) a alteração da função renal como um potencial efeito adverso do uso da medicação.
Nos estudos clínicos do registro e nos relatórios apresentados à Anvisa foram relatados eventos adversos associados ao Victoza, sendo os mais frequentes: hipoglicemia, dores de cabeça, náusea e diarreia. Além destes eventos destacam-se outros riscos, tais como: pancreatite, desidratação e alteração da função renal e distúrbios da tireoide, como nódulos e casos de urticária.
Outra questão de risco associada aos produtos biológicos são as reações de imunogenicidade, que podem variar desde alergia e anafilaxia até efeitos inesperados mais graves. No caso da liraglutida a mesma apresentou um perfil de imunogenicidade aceitável para a indicação como antidiabético, o que não pode ser extrapolado para outras indicações não estudadas, por ausência de dados científicos de segurança neste caso.
Para o caso de inclusão de novas indicações terapêuticas deve-se apresentar estudo clínico Fase III comprovando a eficácia e segurança desta nova indicação.
A única indicação aprovada atualmente para o medicamento é como agente antidiabético. Não há até o momento solicitação na Anvisa por parte da empresa detentora do registro de extensão da indicação do produto para qualquer outra finalidade. Não foram apresentados à Anvisa estudos que comprovem qualquer grau de eficácia ou segurança do uso do produto Victoza para redução de peso e tratamento da obesidade.
Conclui-se pelos dados expostos acima que desde a submissão do pedido de registro a aprovação do medicamento para comercialização e uso no Brasil, a Anvisa fez uma análise extensa e criteriosa de todos os dados clínicos que sustentam a aprovação das indicações terapêuticas do produto contendo a substância liraglutida, através da comprovação de que o perfil de eficácia e segurança do produto é aceitável para indicação terapêutica como antidiabético.
A Anvisa não reconhece a indicação do Victoza para qualquer utilização terapêutica diferente da aprovada e afirma que o uso do produto para qualquer outra finalidade que não seja como anti-diabético caracteriza elevado risco sanitário para a saúde da população.”
Fonte: Jornal Correio do Estado